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CRISE FINANCEIRA E CONTABILIDADE

por Júlio César Zanluca

Afinal, o que tem a ver a contabilidade com a presente situação de crise financeira global? Seria a contabilidade uma das ferramentas disponíveis para enfrentar o que vem pela frente?

Quando há queda de vendas e lucros, todo gestor precisa refletir sobre o que está ocorrendo e tomar providências para que minimizar o impacto financeiro. Afinal, sem um bom fluxo de caixa, uma empresa pode simplesmente quebrar por falta de recursos e crédito.

A primeira providência é conhecer bem os custos da atividade. Daí, a contabilidade é imprescindível. Como conhecer o que a empresa gasta mensalmente para produção de produtos e serviços, com detalhamentos? A contabilidade se presta a esta informação.

Em qualquer situação, a gestão das empresas precisará ser voltada para um controle estrito de fluxo caixa, de redução de custos e de aumento da competitividade dos  negócios. E não adianta "chutar" números, como "nós lucramos em torno de 10% de nossas vendas", "nosso fluxo de caixa cai em janeiro, pela sazonalidade" e outras afirmações. Qualquer afirmação que não seja confirmada pela contabilidade pode e deve ser questionada, para evitar erros de interpretação e ajustes. 

Conhecer o desempenho histórico da empresa e projetar cenários com queda de vendas é um dos passos para iniciar um planejamento realista contra a crise. Perguntas precisam ser respondidas, com exatidão e certeza:

- Qual o fluxo de caixa de minha empresa?

- Quais os custos variáveis e seu percentual sobre vendas?

- Quais os custos fixos? Como se comportam ante alterações súbitas de produção?

- Qual o volume de estoques?

- Qual o custo de carregamento (juros) de dívidas?

- Qual o endividamento de curto prazo?

- Quais são os prazos médios de vendas?

E outras informações, que essencialmente tem origem na contabilidade.

A partir da contabilidade, pode-se então projetar o fluxo de caixa, antecipando eventuais necessidades de capital de giro, decorrentes das operações, e assim facilitando o planejamento financeiro, buscando fontes alternativas de recursos, a custos mais baixos.

A contabilidade da empresa precisa estar atualizada e conciliada, visando propiciar informações úteis e fidedignas.

Outro detalhe é analisar a taxa de câmbio e seus efeitos sobre o lucro da empresa. Empresas endividadas em moedas estrangeiras precisam preparar-se para blindar a dívida e fugir de novos custos cambiais. Novamente, a contabilidade deveria ser a fonte de informações, pois permite projeções do custo cambial em diferentes cenários (como aumento, estabilização ou queda da paridade do real em frente a outras moedas).

Enfim, a luta contra as turbulências externas precisa de menos palpites e mais de dados específicos. Basicamente, o gestor precisará adequar os custos fixos à nova realidade apresentada, renegociar contratos, fugir de dívidas em moedas estrangeiras e controlar os custos de carregamento de dívidas, monitorando o fluxo de caixa e acompanhando o desempenho através dos resultados contábeis, com análise dos balancetes pré-crise x pós.


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